Jornalismo sobre futebol dá de 7 a 1 no jornalismo econômico

Os jornalistas da imprensa tradicional têm se mostrado incapazes de dar alguma profundidade e um mínimo de avaliação crítica ao noticiário sobre o desempenho da economia brasileira. Passam-se anos e o discurso se repete todo dia, em todos os horários e em todos os veículos. Para todos eles, o problema do país é o déficit fiscal (interessante notar que o diagnóstico é o mesmo antes e depois da pandemia). Todos parecem ignorar que há um déficit nominal e um déficit primário, quer dizer, a conversa erra desde o ponto de partida. Depois do diagnóstico unânime, vem a solução unânime – cortar gastos, fazer reformas e privatizações. E tudo isso apresentado apenas assim, sem explicações, sem argumentos, sem dados, sem estudos, sem qualquer chance de debate. Se o ouvinte, telespectador ou leitor quiser saber sobre as reformas, vai ouvir sempre a mesma explicação (as reformas do Guedes, sempre seguidas de uma penca de adjetivos). Mais informações sobre privatizações não há. Nem metas, nem justificativas, nem método, cabe tudo na Agenda do Guedes, seja lá o que isso significa de fato. Cortar quais gastos é ainda mais fácil – vale tudo. Parece que eles pensam que o dinheiro das privatizacões vai resolver o déficit. Eles não sabem que não pode, a lei veda.

O jornalismo sobre futebol está dando de sete a um no jornalismo econômico.

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