A imprensa tradicional certamente percebe que o país está afundando e tendo suas estruturas desmontadas, mas não consegue esboçar qualquer reação, seja porque não quer, seja porque não pode. É que ela passou as últimas décadas dirigindo sua pauta e sua análise para simplificações da realidade da qual não tem como fugir. A criminalização da política, o deboche dos parlamentares, a perseguição ao serviço e ao servidor público, a cobertura econômica enviesada a favor dos mercados financeiros, o apoio cego a ideias vagas como “reformas “ e “privatização “, tudo isso ignora o que interessa aos 99 por cento. Tudo vira defesa de trincheiras de interesses específicos e localizados, desaparecem a informação e a formação da opinião pública.
Nesse contexto, a indignação vira banalidade e o jornalismo vai enfraquecendo, enfraquecendo, enfraquecendo.