A imprensa tradicional apoia completa e incondicionalmente a privatizacão. Toda e qualquer estatal, segundo a visão. Deve ser privatizada, não interessa a que preço, não interessa para quem, não interessa a regulação. Parece ser uma questão de princípio, embora haja sinais de que é também uma questão de interesses.
O caso concreto do apagão no estado do Amapá serve como evidência desse interesse. A distribuidora de energia local já foi privatizada e pertence a um grupo empresarial espanhol. O fato aconteceu e levou vários dias até ser minimamente noticiado. Na verdade, a informação só apareceu depois que milhares de pedidos de socorro foram veiculados nas redes sociais. E a informação veio sem contexto. Ninguém explicava que a empresa estava privatizada, ou o fato era exposto apenas na última linha da notícia. E no meio da notícia a informação de que a estatal do setor, a Eletrobrás, ee que estava encarregada de resolver o problema.
O apagão do Amapá, terra do presidente do Senado, o senador Davi Alcolumbre, jogou centenas de milhares de pessoas no caos. Quando falta energia, falta água, estragam-se alimentos, os postos não conseguem fazer funcionar suas bombas de combustível. E o apagão do Amapá tende a se alongar por até duas semanas.
A desinformação continua. Tudo para não atrapalhar os interesses envolvidos na privatização geral. O compromisso com a informação e o sofrimento da população ficam em um distante segundo plano.