Compra do Twitter é avanço das Big Techs rumo ao poder mundial – Paulo Verlaine*

Como fica o Twitter, comprado por 44 bilhões de dólares por Elon Musk, megaempresário sul-africano-canadense?

O assunto continua a movimentar as atenções mundiais desde 25/4 último, quando foi anunciada a transação bilionária, considerada a maior da história em termos de redes sociais da internet..

Há temores de que Musk transforme o Twitter em território livre para “gabinetes do ódio” em todo o mundo.”

Golpe na Boĺívia

Empresário ousado, polêmico, visionário, o histórico de Musk torna, no entanto, essas apreensões justificadas.

Ele é acusado de ter incentivado e apoiado o golpe contra o presidente boliviano Evo Morales em 2020 porque tinha interesses no lítio do país andino. O lítio é um minério usado para abastecer baterias de carros elétricos da Tesla Motors, uma das empresas de Musk. Sobre o apoio ao golpe na Bolívia, Musk não fez segredo disso: “Vamos dar golpe em quem quisermos”, respondeu no seu próprio perfil do Twitter, a um internauta que o criticou na época da deposição de Morales. A postagem foi apagada pelo autor, mas ficaram registros.

Expressão ou agressâo?

O novo dono do Twitter declara-se um defensor da “liberdade de expressão”. O problema é que esse direito tem-se transformado em direito de agressão, tendo como alvo as instituições democráticas. Vejam o caso do deputado federal brssileiro Daniel Silveira, cassado pelo Supremo Tribunal Federal e perdoado pelo presidente Bolsonaro.

Em tempo: há interesse de Musk em instalar fábricas de carros elétricos da Tesla no Brasil, também produtor de lítio.

Empresas de ponta

Musk, 51 anos, (completa em 28 de junho próximo), é dirigente da SpaceX ((voos espaciais particulares), da Tesla Motors (carros elétricos),  Paypal (pagamentos on line), Solarcity (energia solar), Zip2 (videogames), entre outros empreendimentos vitoriosos.

Twitter

Lançado em 2006, por Jack Dorsey, Evan Williams, Biz Stone e Noah, o Twitter tem 330 milhões de usários em todo o mundo. Delimita em 280 caracteres as postagens, ou mensagens, dos usuários. Tweet em inglês é gorgeio, trinado de pássaros. O símbolo do Twitter é um passarinho azul. “Tweet” significa também pequena explosão.
Rede social preferida por autoridades e celebridades mundiais, o Twitter foi muito usado por Donald Trump, ex-presidente dos EUA, até ser proibido de fazer postagens ali devido ao episódio da invasão do Capitólio. Trump, derrotado na campanha pela reeleição, teria incentivado seus adeptos mais radicais a cometer o ato de violência. Ao comprar o Twitter, Musk colocou-o à disposição de Trump, que recusou a gentileza por ser dono de uma rede social própria: a Truth Social (Verdade Social). Verdade?

O presidente Jair Bolsonaro é, a exemplo de outros políticos no mundo, usuário do Twitter, onde manda mensagens aos seus seguidores.

A compra do Twitter por Elon Musk reforça o avanço das Big Techs (grandes empresas de tecnologia da informação) nos espaços de poder. Os efeitos desse predomínio merecem especial atenção no tempo de grandes transformações que atravessamos.

*Paulo Verlaine Coelho, jornalista e escritor, é editor do Mídia Crítica.

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