Para um país tão grande, tão diverso e tão cheio de possibilidades jornalísticas (normalmente cheio de problemas e eventos negativos), o Jornal Nacional deste sábado 18 fez escolhas curiosas, para dizer o mínimo. Essas escolhas podem explicar, pelo menos em parte, como e por que a audiência vem caindo tanto.
Abriu dando perto de seis minutos aos dois assassinatos na Amazônia, algo obrigatório, adequado e previsível. E encerrou dando mais ou menos o mesmo tempo para os oitenta anos de Gilberto Gil e Paul Macartney, o ex-Beatle. O JN gosta de encerrar com coisa leve e alegre. Estas são as duas prioridades ou âncoras.
Segue o óbvio com mais de doze minutos para a previsão do tempo e para as notícias esportivas.
Notícias políticas só de países estrangeiros. Ucrânia e Colômbia ganharam um total de quatro minutos, para falar de guerra e da véspera de eleição. Refugiadas (principalmente africanos) no país ganharam 4 minutos, mas a matéria termina falando de (sic) gastronomia e pratos do continente vizinho.
A economia e a política no Brasil foram totalmente ignoradas. E não é por falta de assunto —problemas não faltam nas duas áreas.
O péssimo e perigoso estado de conservação das estradas de Minas Gerais ganharam pouco mais de dois minutos. O forró e as festas juninas de Pernambuco foram esticadas em mais de quatro minutos (aliás, tão promocional que poderia se dizer matéria paga).
A temática LGBTQIA+ (diversidade) ganhou surpreendentemente quatro minutos, mas o foco e a abordagem foram exageradamente suavizadas.