Os dois maiores e mais tradicionais jornais paulistas, a Folha e o Estadão, demoraram quatro anos para entender minimamente o que está acontecendo no Brasil, mas finalmente estão chegando perto, tantas e tamanhas e cada vez mais ameaçadoras são as evidências de que o voto em Jair Bolsonaro não faz sentido para quem quer um país melhor, democrático, como ponto de partida, respeitador da constituição e da lei como caminho e em busca de desenvolvimento e justiça social como horizonte.
O Estadão em quatro anos evoluiu de “uma escolha difícil” em 2018, para “um mal menor” em 2022. Não é muito, mas é alguma coisa.
A Folha começa a identificar os sinais de que há um projeto autoritário sem freio com o bolsonarismo. É pouco, mas é um avanço.
Vejam abaixo trechos de editoriais de cada um.
Estadão
Editorial
21.10.22
De escolha difícil para mal menor em 4 anos
“…Muitos eleitores depositarão um voto a Lula exclusivamente motivados pela rejeição a Jair Bolsonaro, com sólidas e bem fundadas razões, a começar pelos riscos reais que o bolsonarismo impõe à democracia. Mas que seja um voto sem ilusões. Um novo mandato de Lula (seu terceiro, e o quinto do PT) pode bem ser, na atual conjuntura, um mal menor que um segundo mandato consecutivo de Bolsonaro. Ainda assim um mal bem grande.
Folha de S. Paulo
Editorial
Objetivo de Bolsonaro é a ser autocrata.
23.10.22
“Esperar que o próprio candidato à recondução tenha compreendido e acatado os limites do mandato seria pouco realista diante do que se vê desde 2019. É melhor trabalhar com a hipótese corroborada pela experiência —tornar-se autocrata é o verdadeiro programa de governo de Jair Bolsonaro para um eventual segundo mandato. A ameaça do arbítrio é nova apenas em aspectos acessórios, como no uso intensivo de redes sociais para disseminar ignorância, culto ao chefe e ordens de ataque. No mais, obedece ao roteiro de conhecidos movimentos subversivos…”