Jogos de azar: omissão do poder público e simpatia da imprensa

Mesmo as pessoas menos informadas sabem que a legislação brasileira proíbe a realização de jogos de azar. Ao mesmo tempo, quase todo cidadão sabe que o poder público tem sistemas de fiscalização cada vez mais frágeis e muita gente desobedece. O exemplo flagrante que se espalha por todo o país são as bancas do jogo do bicho.

Com Jair Bolsonaro no poder esperava-se o avanço no Brasil dos cassinos e dos jogos de apostas. Até porque são (como as vendas de armas) do interesse dos financiadores da extrema direita americana afinada com o presidente brasileiro e seus filhos. Não conseguiram passar as leis no Congresso para cassinos (e os donos de cassinos não investem sem boas e seguras leis), mas os jogos de apostam surgiram, cresceram e prosperaram, tudo desrespeitando a lei que proíbe jogos de azar. 

Dois argumentos usam os empresários que instalaram as “casas de apostas”:

  1. As empresas têm sede fora do Brasil e operam suas apostas pela internet— isso as desobrigaria de obedecer a lei brasileira;
  2. Alegam que “jogos de azar” e “apostas” são coisas muito diferentes.

Concretamente, o que temos hoje:

A – um mercado pujante e crescente de apostas esportivas pela internet, sem regulação, sem fiscalização, consumidor desprotegido;

B – a leniência do poder público (por afinidade ideológica e desprezo ao consumidor) e a simpatia da mídia (por interesse financeiro, pois as casas de apostas estão se tornando grandes anunciantes, as já famosas “bets”, dinheiro na veia de televisão e rádio).

Nenhuma propaganda fala em jogo de azar. E no lugar da palavra aposta usam “bet”. E para a ideia de aposta usam “profetizar”.

Os brasileiros sabem onde vão dar a longo prazo tais complacências: abusos contra o consumidor e marginalidade.

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