O orçamento anual de uma prefeitura, de um estado ou de um país é um documento que sintetiza a vida pública. Ele mostra quanto será arrecadado com a cobrança de impostos, taxas e contribuições (pagos por todos os cidadãos) e como e onde este volume imenso de dinheiro será aplicado (por prefeitos, governadores e presidente). É anualmente votado e aprovado nos respectivos parlamentos (câmara de vereadores, assembleia legislativa e congresso). É peça estratégica, pois decide prioridades e anuncia omissões, enfim, diz tudo, pois na administração pública tudo se traduz em dinheiro. O orçamento é a política em cifrões.
A imprensa e o parlamento deveriam dedicar tempo e esforço para bem traduzir o orçamento para a população. Não o fazem. Talvez alguns por serem incapazes de fazer esta tradução. Outros porque preferem manter a população afastada do que realmente importa.
Na manhã de hoje, a CBN São Paulo, rede de rádios FM da Globo, anunciou com destaque que iria tratar do orçamento da cidade de São Paulo. Perguntava o âncora Milton Jung: “O que você faria se lhe dessem 96 bilhões de reais?”.
Veio a reportagem e nenhuma explicação foi dada ao ouvinte. A emissora ouviu rapidamente um vereador da situação e outro da oposição, falando de uma obra viária específica, a favor e contra. Nada mais disse ou explicou. Encerrada a reportagem, o âncora recorreu aos velhos e vazios chavões contra “os políticos”, contra “excessos de impostos” etc.
Assim agem regularmente quase todos os veículos de imprensa no caso dos orçamentos públicos. Não informam, desinformam, irritam e causam indignação.
Poderiam fazer muito melhor jornalismo. Mas isso exige competência profissional.