A qualidade e a credibilidade da imprensa tradicional na berlinda

A verdade passou a ser uma pedra no sapato da imprensa tradicional. A verdade se tornou muito mais incômoda do que sempre foi. O país viu jornais, rádios, revistas e televisões apoiarem inúmeras manobras políticas inconstitucionais para desestabilizar e derrubar governos e governantes ao longo da história. Bradavam contra a corrupção e o comunismo. Criavam o clima e as condições para as (digamos) manobras radicais, viradas de mesa. Esses veículos de comunicação desprezaram suas cartas de princípio, valores e compromissos que dão base ao bom jornalismo profissional. E o país era afastado dos trilhos democráticos institucionais. Claro, havia sempre alguns interesses econômicos por trás.

A operação Lava Jato é apenas um caso a mais, o exemplo mais recente, além de mais ousado e arrogante. A imprensa tradicional criava o ambiente para a arbitrariedade e depois aplaudia e louvava o abuso de frágeis decisões judiciais. Frações do poder judiciário e do Ministério Público se uniram em conluio e “casaram e batizaram”. Sem critérios, sem limites, à margem da lei.

Com o tempo e com a contribuição de uma mídia de pequeno porte e razoavelmente independente, a farsa foi recebendo luz, graças ao velho e bom jornalismo investigativo da imprensa alternativa de pequeno porte.

A anulação de vários processos e agora a condenação de um deputado federal que saiu dos quadros do Ministério Público coloca a imprensa tradicional na berlinda.

Além disso, esses e outros fatos que têm vindo à luz expõem as vísceras de um jogo de interesses financeiros particulares ilegítimos. É a Doutrina do Choque: depois do choque, vai-se sem freios ao que interessa. Centenas de bilhões de reais trocam de mãos em transações que sempre avançam sobre dinheiro público e para as quais a imprensa fecha os olhos e faz ouvidos moucos.

Vendas de ativos, concessões, privatizações, isenções e reduções de tributos e outras ações e decisões controversas agridem a saúde do Tesouro e liquidam patrimônio público estratégico.

A imprensa tradicional brasileira está perto de um ponto de não retorno no que lhe resta da imagem de qualidade e credibilidade.

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