O lero-lero e o trololó do ex-deputado, ex-procurador do Ministério Público e ex-coordenador da Lava Jato Deltan Dalagnol colocaram no bolso profissionais da imprensa brasileira. O Roda Viva desta segunda-feira 29 foi um constrangimento total. Falando sem parar, em alta velocidade, esticando respostas que evitavam as reais perguntas e até cobrando e pressionando entrevistadores, DD mostrou que os jornalistas estavam aparentemente fragilizados, não prepararam e não pesquisaram para formular questões e tiveram de recuar cada vez mais. Branquinho, limpinho, bonitinho e bem vestidinho, Deltan mais constrangeu do que respondeu aos profissionais da imprensa. Nem bem chegaram a incomodar o entrevistado. Deram-lhe palco. Algo parecido, muito parecido, aliás, com o comportamento acrítico das redações durante meia década de Lava Jato.
Os jornalistas tentaram, é verdade, mas nada relevante, do ponto de vista jornalístico, conseguiram realizar. Foram driblados, enrolados, levados no bico e não souberam agir nem reagir.
Foram quase duas horas e Deltan Dalagnol conseguiu produzir farto material audiovisual para usar nas redes sociais.
Jornalistas vão ter que rever o programa minuto a minuto com lupa e ouvidos bem abertos para encontrar o lero-lero e o trololó.
É impressionante o declínio jornalístico e o Roda Viva perdeu ontem um pouco de sua boa mística. E a audiência ficou confusa. Muito confusa.