Jornalismo “fake” se faz assim: uma guerra que não mata soldados. Ou uma imprensa que não conta as mortes.
A guerra entre Rússia e Ucrânia inaugura um novo tipo de jornalismo. As notícias só falam de mortos quando a população civil é atingida, ou seja, eventual e raramente. Todo dia os veículos informam sobre a guerra, mas pouca gente sabe quantas pessoas morreram de um lado, do outro lado e no geral. As pesquisas na internet apresentam números com divergências enormes, sobretudo quando se trata de vida e morte humanas.
Na guerra contra o Iraque, sob os EUA de George Bush, a televisão só mostrava imagens noturnas e só apareciam pontos luminosos cortando a noite. Agora, a cobertura é ainda mais restrita. Os analistas só fazem balanços geopolíticos, as perdas humanas (por morte ou ferimentos graves) não são informadas ao distinto público.
No Vietnã dos anos 1960, a população americana revoltou-se e exigiu o fim da guerra quando viu os corpos sem vida ou mutilados da rapaziada fardada.
Bem, nesta guerra os jovens sacrificados não são americanos.