A SAGA POLÍTICA DO JORNAL “O ESTADO”, DO ESTADO NOVO AO “NEW JOURNALISM” DE VENELOUIS XAVIER PEREIRA, por Paulo Elpídio de Menezes Neto*

O ESTADO  nasceu pelas mãos de um político exemplar para aqueles tempos — José Martins Rodrigues —, incomum nestes tempos de rarefeito compromisso político e forte dominação ideológico-financeira.

Ainda assim fez-se projeto político, amparado pela força de uma Interventoria getulista do Estado Novo, que se manteve sob o autoritarismo de um professor de colégio e romanista da nossa Faculdade de Direito, durante cerca da quinze anos. Estávamos em plena ditadura getulista, que de tudo fez, até uma Constituição, sem constituinte e sem povo, artigos em falta por aqueles tempos…

O ESTADO abandonaria os compromissos partidários e políticos, reduzindo-os, entretanto, a apoios a greis políticas (vale lembrar a liderança de Flavio Portela Marcílio), com a transferência da propriedade do jornal para Cláudio Martins e Fran Martins, associação perfeita entre dois talentos, um notário e um jurista e romancista consagrado.

Manteve, sob os cuidados do escritor Mário Pontes, o melhor Caderno Literário e assim se houve durante o pontificado desta tríade respeitável dos Martins e Pontes.

Venelouis Xavier Pereira, com quem compartilhei as ambições intelectuais para as quais o dr. Edílson Brasil Soarez foi preceptor exemplar, emprestou ao ESTADO a sua versão combativa no campo político, escola de uma respeitável formação de jornalistas.

Fui, ali, ainda adolescente, durante a presença de Fran Martins e Mário Pontes, nos beirais da redação, repórter universitário e articulista bissexto, quando colhi o aprendizado que me seria útil nos atrevimentos de escritor, no Ceará. Sim, atrevimento, pois aqui somos todos escritores, amadores — na perspectiva canhestra de que até hoje não conseguimos, no Ceará, consolidar uma indústria editorial com bases comerciais e literárias competitivas com o resto do País. Se escritores existem, faltam, contudo, leitores. E um hábito elementar e essencial — o de comprar e adquirir livros. E lê-los…

Venelouis Xavier Pereira é o retrato vivo de um jornal que retrata com realismo, às vezes, perverso, porém real, em luta em várias frentes da política estadual, os últimos 90 anos da história política do Ceará.

A propósito, o jornalista Raymundo Netto, senhor reconhecido nesta praia ainda por explorar, poderia lançar-se a um projeto desafiador. Ao estudo dos suplementos literários veiculados pela mídia do Ceará. Dos grupos que a eles se integraram e do papel que procuraram desempenhar na renovação da literatura cearense.

* Cientista político, exerceu o magistério na Universidade Federal do Ceará e participou da fundação da Faculdade de Ciências Sociais e Filosofia, em 1968, sendo o seu primeiro diretor. Foi pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação e reitor da UFC, no período de 1979/83. Exerceu os cargos de secretário da Educação Superior do Ministério da Educação, secretário da Educação do Estado do Ceará, secretário Nacional de Educação Básica e diretor do FNDE, do Ministério da Educação. Foi, por duas vezes, professor visitante da Universidade de Colônia, na Alemanha. É membro da Academia Brasileira de Educação. Tem vários livros publicados.

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