Protágoras, Georgias e Hípias, sofistas fundadores, não eram hábeis apenas na retórica e no discurso.
Sem que Moraes, o dicionarista, houvesse descoberto, foram os criadores das “fake news”.
Naqueles tempos, como sabemos, a mídia não existia na sua versão impressa.
Os boatos e rumores e os sofismas
eram produção oral, caíam em circulação com os perdigotos lógicos deitados pelos sofistas. E logo, logo, ganhavam foros de verdade.
O ato de mentir carecia da sofisticação do sofisma. O primeiro era grosseiro, como ainda hoje se apresenta; mas o sofisma e a retórica, não. São uma forma de indução lógica bem trabalhada, construída com argumentos improvisados os quais transferem a criação da mentira para o interlocutor descuidado. Assim como ocorre nos pleitos de justiça e nas reclamações judiciais e no exarar de sentenças oblíquas, calcadas nas fontes essenciais do direito.
Jeremias, o junguiano integrista, diria que sofismar é “convencer alguém a proferir inverdades cultivadas (sic)”.
[Jeremias Underline — “Do ato da dissimulação enquanto retórica política”, Editora Perfunctória, Traprobana, 1879, p. 735/48]
Paulo Elpídio de Menezes Neto
Cientista político, exerceu o magistério na Universidade Federal do Ceará e participou da fundação da Faculdade de Ciências Sociais e Filosofia, em 1968, sendo o seu primeiro diretor. Foi pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação e reitor da UFC, no período de 1979/83. Exerceu os cargos de secretário da Educação Superior do Ministério da Educação, secretário da Educação do Estado do Ceará, secretário Nacional de Educação Básica e diretor do FNDE, do Ministério da Educação. Foi, por duas vezes, professor visitante da Universidade de Colônia, na Alemanha. É membro da Academia Brasileira de Educação. Tem vários livros publicados.