A tradicional imprensa brasileira está fazendo uma cobertura parcial do diagnóstico e do desempenho da economia do país. Em vez de profissionalismo, o noticiário é fanático. O fanatismo se alonga por semanas e meses e se concentra numa única direção, como se fosse um samba de uma nota só.
Globo, Folha, Estadão e Veja, principalmente. Mas não só eles. Na verdade este foco editorial é antigo, vem desde os anos da virada de século, como consequência do Plano Real, o que já em parte explica a abordagem irracional e apaixonada.
Jornalistas e economistas estão se aliando para torturar a ciência econômica e assim obter a conclusão desejada. Nessa toada, dia após dia, por anos seguidos, tanto a imprensa quanto seus profissionais e os profissionais da economia vêm se contorcendo para defender o indefensável.
A repetição vai tornando esses desvios evidentes demais. O dano de imagem cresce e a credibilidade vai para o saco. Daí por diante, a audiência começa a especular sobre as motivações: interesses escusos, lobbies, ignorância, má fé, preconceito político, o que explica tanta insistência no erro? A quem se deve a sustentação de tamanha teimosia?
A imprensa se aproxima da noção de ridículo quando reclama do alto crescimento do PIB, quando diz que a redução do desemprego é coisa perigosa, que “o problema está no futuro”, que “ninguém garante que isso é sustentável” e assim por diante.
A imprensa está se perdendo. O Brasil está perdendo sua imprensa mais tradicional. Esses espaços estão sendo ocupados por gente desqualificada que se esconde nos escurinhos das redes ditas sociais.
Neste momento e nestas circunstâncias há quem apele para o patriotismo. Melhor seria cobrar profissionalismo.
Quanto aos economistas, bem, eles devem estar defendendo seus interesses particulares imediatos. Não cabe fazer cobranças, a não ser que o Conselho Regional de Economia os puna pelo exercício irregular da profissão e pelo uso da má ciência.