PRIVATIZAÇÃO DA PREVIDÊNCIA ESTARÁ NA AGENDA DE CANDIDATURAS DE 2026

As deduções fraudulentas das pensões e aposentadorias dos beneficiários da previdência brasileira são apenas mais uma demonstração da desproporção entre os desafios a que estão expostos os serviços públicos e a sua estrutura. O tamanho do país, o número de cidadãos, as carências de sua população, a complexidade dos problemas a enfrentar e a fragilidade educacional e cultural de grande parte da população somam-se às limitações financeiras e as distorções políticas, tudo isso compondo essa desproporção entre o tamanho do desafio e as condições de atendê-lo.

De outro lado, este mesmo serviço público não recebe do próprio poder público a devida e prioritária atenção. Da mesma forma, o Congresso Nacional já faz algum tempo parou de dar atenção ao servidor público, ao serviço público e aos interesses imediatos e diretos da população.

A sociedade de um modo geral, a imprensa de modo particular, também não consegue mais debater com seriedade e profundidade essa questão tão importante. A imprensa costuma concentrar seu fogo no “corte de gastos“ como solução para todos os problemas da nação e como única visão estratégica.

Em outras palavras, ninguém dedica a atenção que o serviço público e seu nível de qualidade merecem, disso resultando que o governo, o Congresso, a sociedade e a imprensa só debatem os desastres e as crises dramáticas, como é o caso agora do INSS que, todo mundo sabe, atende mais de 40 milhões de brasileiros e brasileiras e lida com 1 trilhão de reais por ano.

É este 1 trilhão de reais por ano, possivelmente, que tem feito com que imprensa e membros do Congresso exerçam pressão sobre o governo, a tal ponto que um veículo com a GloboNews, através do jornalista e âncora César Tralli tenha pronunciado um mini editorial na noite desta terça-feira, 6, sobre o assunto. Ele disse, não literalmente: “o INSS é um patrimônio do povo brasileiro e precisa ser tratado com seriedade. Ele precisa de mais funcionários, mais treinados, melhor remunerados, mais motivados. E a população merece um serviço organizado, seguro, confiável e de qualidade”.

Concordamos e acrescentamos: a população precisa e merece o mesmo nível de serviços em educação, saúde, segurança e transporte..

É positivo que uma rede como a Globo exerça o seu poder de comunicação para pressionar por serviços público de qualidade, e assim agindo o fará em defesa dos interesses da população, sobretudo aquela que tem sido esquecida e mal atendida. A Globo bem que poderia trocar a sua prioridade absoluta para o corte de gastos por uma prioridade absoluta pela qualidade dos serviços prestados à população.

E é bom que seja feito isso agora, num governo que se diz popular e de esquerda, porque todos sabemos que governos de direita e mesmo de centro pouco fazem na direção dos interesses legítimos da população mais pobre, mais carente, dependente total do serviço público.

Minutos antes de César Tralli pronunciar seu mini editorial, um dos debatedores do programa, o jornalista Fernando Gabeira, disse que a Federação Brasileira dos Bancos, a Febraban, ofereceu-se ao governo federal para ajudar numa ‘solução estrutural’ para os problemas do INSS com aposentadorias e pensões.

Esta é uma mistura explosiva. Não custa lembrar que o governo imediatamente anterior, através de campanha do seu ministro da Fazenda, Paulo Guedes, propôs e defendeu mudanças radicais no sistema previdenciário brasileiro, para aproximá-lo do modelo posto em prática no Chile, acrescentando que parte do financiamento da Previdência deixaria de ser cobrado das empresas e das dos trabalhadores para ser cobrado através de de uma nova espécie de CPMF (contribuição provisória sobre movimentação financeira). O modelo previa que cada trabalhador administraria uma conta pessoal, com liberdade para fazer a sua gestão, e ao final, terá o resultado que ele próprio construir. No Chile os resultados não foram favoráveis à população, o sistema só agradou aos bancos.

Este breve quadro mostra com clareza o potencial conflito de interesses entre os grandes empresários financeiros e as dezenas de milhões de brasileiros que, no outono da vida, quando mais frágeis e desprotegidos estão, dependem total e absolutamente na sua conta de aposentadoria.

É preciso deixar tudo isso bem claro quando estão em jogo negócios trilionários. Jogo? Estão, na verdade, em rota de confronto. De um lado, gente muito esperta e articulada, de outro, gente muito frágil e desarticulada. A mediação desse conflito se faz pela política, pela comunicação.

Olho vivo!

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