A imprensa brasileira não se conformou em normalizar o absurdo candidato totalmente desqualificado, sem planos e sem propostas, sem experiência e sem equipe, nas eleições presidenciais de 2018. Durante quatro anos a mesma imprensa normalizou todas as ações e os discursos de articulação de um golpe de estado, pelo presidente eleito em 2018 e sua família (um vereador, um deputado e o senador). Fez vista grossa a tudo e até condenou a iniciativa do Supremo Tribunal Federal de fazer investigações com abertura de um inquérito. Ao longo de todo esse tempo, já lá se vão sete anos, a imprensa brasileira mais tradicional retirou o oxigênio da política brasileira, esvaziando-a de todo conteúdo relevante para construir um país e no lugar inventou, alimentou e enriqueceu a ideia da existência de dois pólos extremos, um de extrema direita e outro de extrema esquerda, Tudo falso, impossível fazer este tipo de equivalência. Nem A existência de atos de puro terrorismo em Brasília não foram suficientes para abrir os olhos de veículos de comunicação experientes, seculares quase, e que já viveram outros golpes e até uma ditadura militar explícita e desavergonhado. A sequência de passos do golpismo escancarado permanece, e nos últimos dias o Senador Flávio Bolsonaro, na entrevista à Folha, anunciou a próxima etapa de negociação para o golpe: para ter o apoio de sua família, quer que a direita escolha um candidato à presidência em 2026 que se comprometa formalmente (sic) com anistia a seu pai e que não se submeta ao provável veto de inconstitucionalidade do Supremo Tribunal Federal. O senador quer jogar o Poder Executivo contra o Poder Judiciário ano que vem só pra salvar seu pai da prisão. Não há outro nome pra isso: isto é a continuação do golpismo, que a imprensa com seu silêncio continua normalizando.
A questão que se coloca à imprensa agora é a seguinte: isto é cegueira ou é o silêncio da defesa envergonhada de interesses muito específicos e inconfessáveis?
Há grupos políticos e de mídia especialmente interessados em imobilizar o atual governo com, pasmem, o apoio luxuoso de fatias majoritárias das duas casas do Congresso. Buscam enfraquecer a candidatura da esquerda (porque com a esquerda ninguém nem fala em anistia), Há uma gente disposta a quebrar a institucionalidade, desestabilizar o país. É a negação da política, o atropelamento da lei, a destruição da economia e a aposta no caos.
Uma fração importante da imprensa tradicional tem hoje vínculos carnais com grupos empresariais do mercado financeiro, em especial. A agenda de interesses dessas organizações não se submete às regras, aos princípios e aos valores do bom jornalismo. Pelo contrário, anula-os todos. E nivela-se ao esgoto do ‘jornalismo’ de parte das redes sociais.