CONTRA OU A FAVOR”, OS DESAFIOS DA GALÁXIA DE GUTENBERG, por Paulo Elpídio de Menezes Neto

Trago com o gosto da minha infância na boca, uma velha história, “story”, para não fugir da modernidade. [As palavras, escritas ou pronunciadas em língua inglesa, ganham respeitabilidade e tintura culta e civilizada].

Numa redação de jornal, na véspera da Sexta-feira da Paixão, o secretário da redação pede ao editorialista para fechar a edição do dia seguinte, com um editorial sobre Jesus Cristo, o mártir celebrado da data.

O redator, já a enfiar, com gesto obediente o papel na velha Remington, exausta de tantas pelejas (intimorata Remington, dela diria Sérgio Porto, o Stanislaw), indaga:

“Contra ou a favor?”

Naquele tempo, não se sabia ao certo o que fazer com a palavra inglesa “media”, até MacLuhan dar-lhe sentido e consagração com a ajuda de uma teoria loquaz que sobrevive até hoje. À falta de destreza verbal, chamava-se o bicho pelo nome ou pelo apelido familiar. Cão era tratado promiscuamente como cão, ou “bicho-feio”, assim pretendiam as beatas do Juazeiro; ou capiroto, tinhoso, capeta, canhoto. Referiam-se as devotas do Horto, a “Fa[bicho-feio], para omitir o nome do facão, [fa/cão] e não atrair o “príncipe das trevas”.

A partir daí, as teorias de Barthes ganharam prestígio e a expressão da palavra fez-se verbo, intenção e intuição. A conexão ou a des/conexão da relação “emissor”/“receptor” funcionam pelos sinais da linguagem, uma espécie de semiologia. Uma sofisticada e engenhosa arte de interpretar sintomas em busca por explicação.

A “mídia”nasceu, virou objeto dos cuidados da ciência e fez morada entre eruditos — na universidade.

Paulo Elpídio de Menezes Neto

Cientista político, exerceu o magistério na Universidade Federal do Ceará e participou da fundação da Faculdade de Ciências Sociais e Filosofia, em 1968, sendo o seu primeiro diretor. Foi pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação e reitor da UFC, no período de 1979/83. Exerceu os cargos de secretário da Educação Superior do Ministério da Educação, secretário da Educação do Estado do Ceará, secretário Nacional de Educação Básica e diretor do FNDE, do Ministério da Educação. Foi, por duas vezes, professor visitante da Universidade de Colônia, na Alemanha. É membro da Academia Brasileira de Educação. Tem vários livros publicados.

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