SOCIOLOGIA DAS FAKE NEWS, por Paulo Elpídio de Menezes Neto*

Existem sete classes de ladrões, a primeira é daqueles que roubam a mente dos seus semelhantes através de palavras mentirosas”, do Talmud

“Ocasionalmente, as palavras devem servir para encobrir os fatos. Mas que isso aconteça de tal forma que ninguém
perceba; mas se por acaso for notado, que haja desculpas prontas para serem apresentadas imediatamente”, Maquiavel, em nota de instruções a um embaixador.

Se a mentira sempre existiu na intimidade da família ou nos alentos de fé, na vida em sociedade e na politica, assumiu características e papel significativos nas questões de Estado.

Maquiavel estimou a sua importância e o poder de que se viu dotada nas questões da diplomacia e do governo.
Nas estratégias da guerra, a mentira foi arma poderosa.

Até esconder-se atrás de uma expressão inglesa, foi alvo de acerto de muitas religiões monoteístas. Pecado anatematizado, sob o manto da hipocrisia, as “fake news” entraram como matéria prima na produção de informações e da sua distribuição pelo jornalismo primitivo e, depois, pelo equipamento ampliado da mídia.

Tanto na midia quanto pela informação oficial das narrativas do governo, a omissão quanto a elaboração da versão assumida dos fatos, dos comunicados e das decisões, representam recursos de efeitos poderosos como indução e manipulação do entendimento assim como da opinião.

A palavra, o discurso político, tornaram-se enigma, pelas omissões que escondem e dissimulam, como pelas afirmativas que simulam certezas. A verdade perde-se em um labirinto de contradições para cair no logro da mensagem suspeita que traz consigo. Por sua vez, a mentira ganha ares de verdade de, tão repetida, faz-se acreditada.

A “desinformação” vem a ser uma estratégia jurídico-policial, cujos limites e o seu alcance conferem ao Estado e aos mecanismos do governo a precedência e o poder incontestável de decidir sobre os riscos advindos, a seu juízo e critério, das falsas noticias e das opiniões por elas motivadas.

A “desinformação” poderia ser compreendida como a produção intencional e o compartilhamento indevido de informação imprecisa, equivocada ou falsa.

Quando abrigada e disparada pelo Estado, por vias diretas ou transversas, como se haveria de caracterizá-la? E como haveríamos de distinguir a verdade da mentira neste penosa metamorfose de dúbias intenções?

* Paulo Elpídio de Menezes Neto

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