O presidente da República Jair Bolsonaro aplicou um golpe fortíssimo nos barões da grande imprensa de todo o Brasil, quando decretou o fim da obrigatoriedade das empresas de publicar seus balanços nos jornais de grande circulação. Esta medida é em si razoável e a internet e as redes sociais foram tornando-a ainda mais razoável, quase inevitável, mas os donos de jornal em todo o Brasil faturavam rios de dinheiro sempre que grandes empresas públicas e privadas de norte a sul anunciavam páginas e mais páginas, pagando valores expressivos. Em muitos casos, um grande grupo empresarial chegava a publicar dezoito páginas com suas demonstrações financeiras anuais, relatórios e notas explicativas. E também havia, sobretudo nas empresas de capital aberto (com ações cotadas em bolsa) várias inserções menores ao longo do ano.
É como se a medida desviasse um ou dois bilhões de reais anuais que iriam para o caixa das empresas jornalísticas.
Uma lembrança: não faz muito tempo, a Folha de S Paulo vendeu ao O Globo suas ações no jornal O Valor. Este, sim, vai deixar de faturar uma “nota preta”. Não há notícia de uma pancada tão forte na imprensa.