Houve um tempo em que o programa semanal das segundas-feiras na TV Cultura era esperado e, mesmo levado ao ar às altas horas da noite, conseguia alcançar para os padrões das tevês educativas uma expressiva audiência. Além disso, pela firmeza e equilíbrio da bancada de jornalistas que formavam a bancada de entrevistadores, aquele programa conseguia acumular prestígio. Esses tempos se foram e o programa tem caído. Cai porque os escolhidos para serem entrevistados não são selecionados por critérios exclusivamente jornalísticos e de interesse público, mas pela baixa qualificação dos jornalistas que formam a bancada em forma de círculo.
Uma das entrevistas que repercutiram negativamente foi a da deputada do PCdoB Manuela Dávila, que foi interrompida praticamente todas as vezes em que respondia (ou começava a responder) as perguntas. A outra foi uma participação especialmente amena do então presidente da República Michel Temer, do MDB, que foi elogiado por sua beleza e seu charme e teve oportunidade de descrever como usou este charme para conquistar sua jovem e bela esposa. Ontem, a bancada de jornalistas entrevistava um jornalista premiado (Prêmio Pulitzer) Glenn Greenwald de forma agressiva, repetindo basicamente as mesmas perguntas e insistindo em obter do entrevistado uma confissão de que “pagou ilegalmente” para obter as informações que colocaram a grande e tradicional imprensa numa posição delicada.
Explicando: o material divulgado lentamente, ao longo das últimas longas quase dez semanas pelo The Intercept Brasil (dirigido por Greenwald) mostra o que a imprensa comercial deixou de ver (ou fez que não viu) por longos cinco anos, em relação à operação Lava-Jato e suas consequências políticas e jurídicas.