Jânio de Freitas em carta aberta sobre o Brasil: “A ameaça é aguda”.

Jornalista Jânio de Freitas, 87 anos, carioca, premiado e reconhecido por uma carreira brilhante e independente, enviou uma carta ao evento “Ditadura Nunca Mais”, da Associação Brasileira de Imprensa – ABI”, ao qual não pode comparecer por questões de saúde. Eis o teor da carta.

Prezados democratas,

Se eu pudesse estar aqui, diria que a ameaça à democracia é permanente, como a Europa em vão nos mostra outra vez. A ameaça que paira sobre o Brasil é aguda. Mas não é assim apenas pelo ataque das forças antidemocráticas. A ameaça é facilitada e engrandecida pela falta de resposta dos democratas ao ataque. O país está inerte, como se tomado pelo pasmo ou pelo receio. É triste e necessário notar que a reação à Amazônia em fogo precisou vir de fora, para estar à altura da tragédia provocada.

Se eu pudesse estar aqui, diria que é preciso e urgente nos dirigirmos às consciências embotadas, uma a uma, em toda parte, para alertá-las sobre o que se passa a cada dia. Sobre a importância destrutiva dessa marcha sinistra sobre as suas vidas, sobre o futuro em que viverão seus filhos e netos. É preciso despertar o sentimento democrático hoje refugiado na perplexidade ou no desânimo.

Se eu pudesse estar aqui, lembraria que todo avanço da civilização foi fruto de inconformismo. A liberdade, os direitos humanos, a cultura, onde existam e nas doses a que aí chegaram, foram obras, todos, dos inconformados de todos os tempos.

Se eu pudesse estar aqui, faria um pedido: sejamos inconformados. O ser humano, a justiça entre todos e o Brasil democrático precisam do nosso inconformismo.

Jornalista Jânio Sérgio de Freitas

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