Os 8 recados que o ministro do STF passou numa fala de 18 minutos e vários silêncios

Midia Crítica pediu a um atento observador das cenas e discursos das sessões plenárias do Supremo Tribunal Federal para analisar (e se preciso especular) sobre a fala do ministro Gilmar Mendes na quarta-feira sobre a Lava Jato e seus principais personagens, o hoje ministro da Justiça e então Juiiz Seergio Moro e o procurador chefe da força-tarefa do Ministério Público Deltan Dalagnol.

Eis o resumo do que o analista sugere ter percebido como mensagens jogadas nas entrelinhas da fala:

  1. Gilmar Mendes citou várias vezes o The Intercept Brasil validando as informações divulgadas e reforçando sua verossimilhança e veracidade, ao dizer que “nunca foi desmentido”;
  2. Com isso, o ministro leva para o plenário da Corte todas as denúncias do The Intercept, que alguns jornalistas simpatizantes da Lava Jato ainda teimam em manter como “supostas” ou “ilegais”;
  3. O ministro citou nominalmente seus colegas Edson Fachin, Luiz Fux, Carmen Lúcia e Dias Toffoli em meio a eventos e transcrições constrangedoras provocadas pela Lava Jato;
  4. Para aliviar a carga das citações aos colegas, Gilmar colocou-se ele mesmo no mesmo roll de insultados pela Lava Jato e seus destacados membros Moro e Dalagnol;
  5. Para o ministro Luis Roberto Barroso, que Gilmar Mendes não citou nominalmente, ficou o silêncio que pode dizer muito mais – além de deixar o ministro Barroso fora do grupo de vítimas dos insultos;
  6. Gilmar Mendes deveria saber que sua exposição não seria levada ao ar pelas grandes redes de televisão (defensoras incondicionais da Lava Jato), ficando restrita ao plenário e às redes sociais;
  7. De tudo o que o ministro disse o menos importante são as implicações legais, até porque ele não tratou delas e a sessão não tratava diretamente do tema. Por isso, os “recados” é que importam;
  8. O que vai acontecer nos próximos dias e nos próximos julgamentos vai explicar o que não se percebeu ou não se entendeu da fala.

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