Há mais de um século os negócios de petróleo no mundo inteiro são marcados por algumas características, sendo a principal delas que o óleo negro envolve dinheiro em quantidades oceânicas. Por cauda disso, o poder de decisão sobre as reservas descobertas na natureza é objeto de muita pressão, informação e desinformação. Essa pressão é exercida principalmente por gigantescas e tradicionais empresas do setor, mas também pelos governos dos países que sediam essas empresas. Assim, somam-se petroleiras e governos em busca de explorar as reservas.
Nos últimos cinquenta anos a reserva mais relevante em termos de quantidade e qualidade descoberta foi o pré-sal brasileiro, que já se admite hoje tenha chegado a cinquenta bilhões de barris, com espaço para crescer. O contravor disso em dólares em núeros redondos chega a pelo menos três trilhões de dólares, ou aproximados doze trilhões de reais.
Sabe-se que os países que descobriram grandes reservas de petróleo não enriqueceram, continuaram pobres. Arábia Saudita, Irã, Venezuela e Iraque são exemplos evidentes. Entretanto, a Noruega achou petróleo e soube agir para desenvolver-se e beneficiar a população. Os noruegueses criaram um modelo a que chamaram de Partilha e asseguram a riqueza para o país. O Brasil copiou nos governos petistas o tal modelo de Partilha, mas tão logo Michel Temer assumiu o poder, o senador José Serra do PSDB conseguiu fazer o Brasil voltar ao sistema de concessões – nas concessões, o país abre mão de explorar o petróleo e vende os poços em leilões. É o que está acontecendo desde que os petistas caíram.
Nesta terça-feira, o jornal Valor, do grupo Globo, dá manchete: “Leilão de petróleo deve render 628 bilhões em 35 anos”. Importante: em 35 anos. Parece muito, mas divididos pelos 35 anos, é muito pouco. Não custa lembrar que as petroleiras estrangeiras foram liberadas de pagar impostos de vários tipos por 20 anos e isso resulta numa renúncia de um trilhão de reais.
A imprensa brasileira só informa sobre petróleo de maneira pontual, fracionada, rasa, incompleta, descontextualizada. Basta lembrar o que foi dito por anos seguidos para criar e consolidar a imagem de que a Petrobrás era um “antro de corrupção e de prejuízo”, uma “empresa quebrada” etc.
É praticamente impossível ao cidadão juntar e contextualizar as informações, organizá-las, interpretá-las e concluir algo com consistência. Nos negócios de petróleo, falha a imprensa de forma continuada, e os erros são graves, os prejuízos podem ser monumentais para o Brasil.