Quando falta (ou falha) o serviço público, falta (ou falha) a imprensa. E sofre a sociedade

Quando acontece uma tragédia como o rompimento da barragem de Brumadinho (ou de Mariana, meses antes), quando acontece de um prédio residencial desabar e matar moradores inocentes (como aconteceu na periferia do Rio de Janeiro e na zona chique de Fortaleza), quando um incêndio ocorre num alojamento de jogadores de um grande clube (o carioca Flamengo) ceifando vidas ou quando um desastre ambiental de grandes proporções afeta todo o litoral nordestino, a imprensa corre para o serviço público e pressiona a burocracia: estava regularizado? tinha alvará? recebeu inspeção do Corpo de Bombeiros para as instalações elétricas, de gás ou de segurança?

Entretanto, no dia a dia, no cotidiano da cobertura todo o serviço público só recebe ataques: excesso de burocracia, erros,  falta de gestão, tudo isso sempre levando à conclusão do desperdício de recursos, corrupção e inchaço da máquina. Parece um protocolo fixo.

No caso das questões policiais, qualquer que seja o crime, qualquer que seja a notícia, ela sempre termina com a cobrança crua e simplória: “até agora ninguém foi preso”. Como se a prisão fosse o principal (e não é, vale a investigação criteriosa, o processo consistente, a checagem rigorosa… ou não haverá justiça.

O caso mais evidente neste momento (derramamento de óleo na costa) mostra que fragilizar o serviço público, cortar recursos, eliminar órgãos sem estudos criteriosos pode custar muito caro ao país. Já se passaram semanas e a imprensa parece desnorteada,

Evidentemente, por sua potência, sua presença e sua atuação continuada e multifacetada, a imprensa tem um papel a desempenhar na questão da qualidade do serviço público, já que a qualidade deste interfere na qualidade de vida do cidadão.

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