Anotem essas palavras: expectativa do mercado. Elas serão as mais citadas no noticiário econômico até quarta-feira

Os ouvintes de rádio, os telespectadores da televisão e leitores de jornal e revista serão bombardeados nos próximos dois dias com as palavras “expectativa do mercado”.

Nesta terça-feira começa (para se concluir na quarta) a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central do Brasil, que acontece a cada 45 dias, para ajustar a taxa SELIC – a Selic é a taxa de juro que o Tesouro vai pagar aos investidores que aplicaram em títulos públicos. É um gasto alto, ficando nas alturas dos gatos com o Regime Geral da Previdência Social – há estimativas de que este ano o Tesouro pagará juros e despesas com a dívida pública interna acima de trezentos bilhões de reais.

A cobertura da imprensa nesses dois dias costuma apontar exclusivamente para um fator: a expectativa do mercado. É como se o Banco Central tivesse a obrigação de atender à expectativa do mercado, como se contrariar a expectativa do mercado fosse uma imprudência, um erro, quase um crime contra a economia.

Os jornalistas e analistas também poderiam levar em conta que o juro no mundo está colado em zero (sim, zero por cento ao ano), que o juro do governo brasileiro é inexplicavelmente alto, que o Banco Central é excessivamente conservador quando a taxa cai (e agressivo quando a taxa sobe), que a economia está deprimida e que o caixa do governo poderia ser poupado de algumas dezenas de bilhões de reais se a “expectativa do mercado” não for rigorosamente obedecida.

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