Uma palavra crítica ao programa “Debates do Povo” da Rádio O POVO FM do Grupo O Povo de Comunicação

O programa “Debates do Povo”, da Rádio O Povo, de Fortaleza, de segunda a sexta, de 11 h ao meio-dia, tem história e sólida trajetória. Nasceu com a emissora e se aproxima de completar quatro décadas no ar. Nos anos 1980 teve momentos de enorme prestígio e audiência, por exemplo, quando a emissora reuniu um coordenador (um acadêmico) e três debatedores de alto nível (jornalistas de sólida formação e experiência) na segunda metade dos 80. Em termos regionais é, possivelmente, o mais ousado e reconhecido evento radiofônico regular. Apesar de erros e fragilidades eventuais, a concepção é inteligente e bem executada.

Recentemente, fez uma mudança e deu prioridade ao debate político (em sintonia com o espírito do tempo) colocando um debatedor fixo e convidando personalidades que pensam frontalmente diferente, fazendo transmissão de imagem e com o coordenador lendo postagens de ouvintes. O programa ganhou em calor, mais do que em luz, embora a ideia esteja correta. Há alguma falha da produção e o debate perde qualidade na segunda metade (seja porque a pauta é vulnerável, seja por desvio da coordenação).

O coordenador (ótima voz, boa dicção) impõe uma dinâmica de narração mais adequada a jogos de futebol (ou corridas de cavalo), age (por orientação da produção?) para criar clima de agressividade entre os debatedores e seleciona para ler postagens tolas e vazias de conteúdo dos internautas. A seleção dos convidados devia ser mais rigorosa, para evitar personagens “do mercado”, de “indicados” dos patrocinadores e daqueles que se tornam rapidamente rasos, repetitivos e previsíveis.

A história deste programa radiofônico regional está a merecer uma pesquisa (a ser transformada em livro, possivelmente). Ele representa uma contribuição importante na qualificação da imprensa, em todos os sentidos, cada vez mais pobre na região.

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