A Rede Globo de Comunicação não costuma reconhecer seus erros, por mais evidentes que eles sejam, e os erros dos meios de comunicação são normalmente muito flagrantes, pela própria natureza da atividade. Prova disso é que ela deixou passar cinquenta anos para reconhecer que errou ao apoiar o Golpe de 1964 e negar insistentemente, repetidamente que o Brasil viveu uma ditadura. No momento, a Globo tem seu futuro ameaçado pelas gigantescas corporações de atuação mundial, como Google, Facebook, Netflix, Disney, Amazon, todas direta e indiretamente buscando dominar os mercados de entretenimento e jornalismo. A Globo é financeiramente forte e tem boa gestão e boas reservas, mas luta contra uma onda enorme de adversidades simultâneas: perdeu verbas do governo federal e das estatais, perdeu contratos importantes de transmissão de futebol, deixou de contar com as Olimpíadas (adiadas) e teve de repartir verbas de publicidade privada com as gigantes da internet. E para agravar, a internet criou referências de preço da publicidade tão baixos que podem inviabilizar uma organização do porte da Globo.
Olhando para o jornalismo da rede, observa-se que ela não mudou. Continua cometendo erros graves de princípios à vista de todos. Nem mais se trata apenas de criticar posições e opiniões. Chega ao ponto de brigar com os fatos, o que torna o problema dramático. Um exemplo bem quente é a relação especial que a Globo mantém com a LavaJato e com Sérgio Moro, fazendo deles uma defesa incondicional e precariamente costurada em argumentos frágeis. Do outro lado, na direção contrária, a empresa luta para administrar as consequências da criminalização da política e a prática do antijornalismo contra a esquerda.
Os próximos dois anos serão decisivos e vão exigir uma competência que vai além das questões de qualidade técnica. Uma saída para o grupo, que o mercado especula, é uma parceria com um desses gigantes da tecnologia.