Aos poucos uma parte do que se convencionou chamar o “esgoto da internet” se transfere sutilmente das redes sociais para os programas de rádio dos grupos de atuação nacional. Isso está acontecendo na medida em que se abrem canais para os “ouvintes” expressarem suas “opiniões” através de mensagens, áudios e audiovisuais para veiculação imediata. Sempre que ouvintes sem a necessária qualificação técnica são consultados sobre problemas complexos e que exigem análise por especialistas. O exemplo mais evidente e também mais comum é quando os âncoras dessas redes de rádio pedem a participação do “ouvinte” avaliando decisões das cortes superioras, em especial do Supremo Tribunal Federal. Deve haver um limite para a busca de audiência a qualquer preço.
É jornalisticamente impróprio divulgar opiniões desqualificadas ou puramente emocionais sobre assuntos que exigem conhecimento especializado. No mais das vezes nem os próprios jornalistas estão qualificados para analisar e opinar, embora o façam sem ler os autos dos processos, sem citar as leis em que se baseiam, sem ponderar os argumentos prós e contras. Neste ponto, um jornalista se destaca ao fazer com rigor e consistência (embora eventualmente com viés) esse trabalho: Reinaldo Azevedo, na Rede Band News, de segunda a sexta, às 18 horas.