A imprensa tradicional não se emenda e não se constrange em bloquear qualquer possibilidade de discussão ou debate. Toda análise é feita de forma rasa, toda discussão é feita pelas mesmas personalidades “carimbadas” e o debate nem chega a tratar de dois lados da questão (quem disse, aliás, que uma questão só tem dois lados?). Se isso não é incompetência dos editores, trata-se de uma escolha deliberada que vai contra os interesses dos leitores, ouvintes e telespectadores, que são bombardeados com praticamente o mesmo ponto de vista todos os dias, em todos os horários e em todos os veículos.
Uma amostra exemplar disso deu a revista Veja desta última sexta-feira de agosto, quando convida seis pessoas para debater os cenários futuros do Brasil pós-pandemia. E os seis convidados são todos economistas, do mercado financeiro e de bancos privados.
Leia o primeiro parágrafo da apresentação:
“Seis economistas de bancos, reunidos por VEJA para analisar os efeitos da pandemia de Covid-19 sobre a economia brasileira, exibem conclusões muito semelhantes. Por distintos ângulos, mostram que o Brasil entrou na crise fragilizado em três áreas: na desigualdade social e na pobreza, no potencial de crescimento econômico e na situação fiscal. A crise as agravou….”