Sou dos que acompanham, com interesse e uma confessada angústia, o papel da mídia no plano político.
Nos regimes autoritários, o Estado detém o poder manipulador sobre a orientação político-ideológica da mídia. Nas chamadas democracias ou o que podemos entender por esse substantivo adjetivado, a mídia corresponde a uma empresa de porte ou conglomerado de meios de comunicação que para manter-se recorre ao patrocínio de anunciantes ou a recursos governamentais, aquele envolvimento entre propaganda e notícia, produção de opinião e interesses da máquina que governa.
Há duas fontes evidentes de influência nas orientações, nesse caso, da mídia: os anunciantes e os governos. Uma e outra financiadores da empresa midiática, cada uma delas a seu modo, o que lhes dá força necessária para intervir na firmação e condoludação da “opinião” da empresa…
A mídia moderna, nos países de democracia aberta, confronta o que parecia impossível ocorrer em um sistema capitalista. A perfeita acomodação entre a direção capitalista do empreendimento e as tendências afirmativas de uma redação seduzida pelo pensamento de esquerda e pista a seu serviço.
Nas empresas de maior porte, no plano imagético, sobretudo, na televisão, ocorre um equilíbrio mais ou menos estável entre a empresa e a redação, entre os escalões que detém o controle sobre a empresa e os que produzem as notícias e a opinião que veicula.
Parece evidente que os proprietários dão a última palavra. Mas não chegam a aprofundar as discordâncias de modo a desestabilizar o empreendimento. Como o mercado de emprego na mídia é, no fundo, controlado pelo empresariado, parece natural que assalariados (os jornalistas, artistas e toda a mão de obra) procurem manter um nível de entendimento consensual. Os sindicatos fazem o trabalho e resguardam as relações.
Nestes episódios recentes, de demissões de formadores de opinião, em algumas empresas (Globo, CNN e JP) ocorreram pelos mesmos fatos e circunstâncias. Venceu o lado empresa. A parte opinião aceitou e não deixou os seus encargos e obrigações. A dança das cadeiras movimentou os demitidos e conservou os seus empregos.
Nos países totalitários, assim como pretendem os políticos progressistas no Brasil, o pensamento e a opinião são unânimes entre a direção da empresa de mídia e os que nela trabalham…
Paulo Elpídio de Menezes Neto, cientista político, escritor, professor, ex/reitor da UFC.Texto originalmente postado no Facebook do autor.