Criança, não verás nenhum país como este”, Olavo Braz dos Guimarães Bilac
“E me sinto amigo do meu país, cada dia em grau superior ao antecedente”, Conde Afonso Celso— “Porque me ufano de meu Pais”.
“Que país foi este?”, Henfil
O protesto já foi um instrumento político poderoso em algum momento do passado. Dizia-se que era fruto de uma legítima expressão “democrática”…
Hoje, transformou-se em um esporte de risco, assim como a mania de espalhar verdades inconvenientes entre criaturas de boa fé.
As pessoas sensatas fogem dos que ainda recorrem a este expediente de escrita verbal de auto-flagelação, prática de sadomasoquismo que a muitos diverte como procedimento terapêutico, e a outros assusta e desespera.
Recorri ao dr. Contumaz da Silva, experiente neurologista para aconselhar-me. Como se não lhe bastassem a ciência e a consciência, arrancadas em aplicada dedicação aos egos e superegos que administra, o dr. Contumaz mergulha fundo, nos caminhos tortuosos da Razão, contra razoável remuneração contratada, armado do seu escafandro freudiano. Afinal, tratar da cabeça dos outros de graça está fora de cogitação…
Não se fez de rogado o personagem, com todo o aprovisionamento de ciência que traz consigo:
“ — Aconselho aos meus pacientes, em circunstâncias de insegurança jurídica ou ética devidamente comprovada uma regra ou fórmula (uma catarse, digamos) miraculosa: calar ou elogiar. O elogio é a mentira que mais agrada aos viventes de duas pernas…”
Virtudes e talento, honestidade e lealdade, são ornamentos bem servidos para o engrandecimento da vaidade humana. Quanto menos verdadeiros, mais exaltados e respeitados.
Calar não sei por quanto tempo serei capaz, mas não custa tentar as minhas sobras de disciplina.
Decidi-me, assim, por guardar silêncio obsequioso, a exemplo do que faziam os monges de outros tempos, como forma de castidade verbal e receita de prudência — ignorar as evidências e desfazer-me das perigosas armadilhas da ironia. Emudecer. Emburrecer, para parecer uma brasileiro normal como muitos o são.
Mas não é pela vontade de aderir aos senhores do tempo e da verdade ou pela pecúnia cobiçada. Mas porque tornamo-nos um país chato, menor, pequeno, atolado em regras e regramentos de encomenda; afogado por falsas virtudes, no qual a palavra e a Razão tornaram-se instrumentos de defesa ilegítima.
“Às favas todos os escrúpulos de consciência”, antecipou o coronel Passarinho em sugestão terapêutica que fez sucesso por mais de vinte anos.
Redução moral e ética que fez escola entre nós, brasileiros.