A DESCONSTRUÇÃO DE UMA FARSA POLÍTICA, por Rui Leitão

Estamos testemunhando a desconstrução de uma farsa política forjada por uma avassaladora onda midiática de mentiras, manipulações e baixarias. A consciência de milhões de brasileiros foi incorporada, de forma acrítica, ao falso moralismo das classes dominantes, contaminada por toda sorte de preconceitos e truculências. Esse fenômeno político permitiu o triunfo, por algum tempo, de uma ideologia de extrema direita que, tirando proveito das liberdades democráticas, conseguiu chegar ao poder. O “mito” criado, enfim, está sendo colocado em xeque.

A retórica empregada pelo principal líder desse movimento surgiu carregada de violência verbal, com forte apelo à vulgaridade, onde a estupidez reproduz a miséria intelectual que caracteriza esse grupo político. A ponto de, sem qualquer constrangimento, fazer-se apologia covarde às torturas praticadas durante a ditadura militar. Afirma-se uma ideologia consolidada na incoerência e na dificuldade de debater com base na racionalidade. Assim, estrategicamente, busca-se manter o poder mobilizando as paixões de seus seguidores.

Diante da dificuldade em lidar com a verdade — sustentado por uma ilusão autoimposta — o farsante, de repente, se vê envolvido num processo em que a mentira acaba consumida pela própria falsidade. Não há disfarce que resista por muito tempo. A queda das máscaras é o preço cobrado pela prática da mentira como instrumento político. Torna-se vulnerável quando, tomado pela confiança cega, imagina-se imbatível, acreditando ser aquilo que apenas finge. As narrativas míticas fabricadas em torno de determinada figura política fazem com que esse personagem seja visto como uma espécie de herói lendário, alguém que luta contra os “valores do mal” em busca de uma suposta redenção.

A imprensa corporativa passou a adotar uma nova estratégia editorial, deixando de silenciar diante dos desatinos e virulências do líder maior da extrema direita brasileira. Por se tratar de um setor historicamente alinhado aos grupos dominantes, começa a compreender que, a partir do ataque à nossa soberania protagonizado pelo presidente dos EUA, é preciso cuidar da defesa dos interesses das elites, ameaçados agora pela arrogância de Trump.

Quando os liderados começam a fugir do comando de seu líder, está dado o sinal de que a fidelidade de antes já não é a mesma. O entusiasmo está desaparecendo. Já vimos esse filme antes, quando Collor, o “caçador de marajás”, perdeu sua força popular. Esses líderes travestidos de “salvadores da pátria”, no passar do tempo, conseguem transformar esperança em desilusão.

Rui Leitao é jornalista, historiador e escritor, membro da Academia Paraibana de Letras.

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