A imprensa adia a solução de um velho problema para as próximas eleições

Aqui e ali uma voz se levanta para reclamar vida falta de debates sobre os problemas da população em pleno período eleitoral. Até a imprensa reclama, sem lembrar que este é um de seus mais decisivos papéis sócio-políticos.

No Ceará também é assim.

Então, chegamos cheios de expectativas na leitura das páginas 4 e 5 da edição deste sábado (10.09.2022) do jornal O Povo, matéria assinada pela jornalista Karyne Lane, cujo título é A ECONOMIA É A PRIORIDADE DOS CANDIDATOS AO GOVERNO. Lá estão 12 quadros informativos com as propostas dos 3 candidatos com chances a 3 semanas da votação. Trazem os seguintes temas — emprego e renda, desenvolvimento sustentável, desenvolvimento regional, indústria e comércio, agricultura, turismo, economia do mar, economia criativa, tecnologia e inovação, energias renováveis, crédito e investimento. Capitão Wagner, Elmano de Freitas e Roberto Cláudio.

Espera-se um diagnóstico, espera-se tanto. É tanta esperança da parte de tanta gente…

Depois de ler e reler algumas vezes os projetos prioritários dos 3 candidatos, entre a surpresa e a frustração, eis o que se pode dizer:

  1. Os textos não parecem ter sido escritos pelos candidatos, não se vê o rosto ou o estilo ou o discurso de nenhum deles;
  2. Tudo é prioritário, ou seja, nada é prioritário;
  3. As propostas são apresentadas sem um único número, uma meta com prazo, um objetivo a ser alcançado;
  4. Os textos vão ficando parecidos uns com os outros, parecem embromação, algo como lero-lero ou trololó;
  5. Tão insípidos, inodoros e incolores, vazios de compromisso, os textos, se acidentalmente misturados, ninguém saberá mais dizer qual texto pertence a qual candidato.

O problema certamente não é da jornalista. Do jornal, só em parte. De novo, governo, parlamento, partidos e candidatos, todos aderem a este comportamento esquisito, injustificável. Omisso.

Nesta eleição o problema também não será enfrentado e resolvido. E nos próximos quatro anos a questão será adiada para as próximas eleições.

No Brasil inteiro é assim.

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