A regra fundamental que as bolsas de valores obedecem a curto, a médio e a longo prazo é de tal natureza óbvia que ela sequer está escrita ou costuma ser citada: após uma sequência de altas, virá uma de baixa, e após uma sequência de baixas, virá uma de alta. É um imperativo de natureza prática, pois ele se impõe por força de outra lei também não escrita, a lei da oferta e da procura. Por esta “lei”, depois das fortes altas, as vendas se multiplicam, e o preço, inevitavelmente, cai. E se o preço cai muito, as compras é que se multiplicam. Nas duas direções, há o caso comportamento do investidor racional, em busca regular, metódica e fria da maximização de seus lucros.
Num país como o Brasil, três ou quatro empresas definem se a bolsa subiu ou caiu. Porque essas poucas empresas concentram o volume de negócios e o valor das transações, caso de Petrobrás, Vale, Bradesco e Itaú, revezando eventualmente com outras. Isso ocorre mesmo que haja em torno de quatro centenas de ações negociáveis.
Do mesmo modo que há concentração no número de empresas, também há concentração no número e no poder financeiro dos investidores, reunidos em grandes bancos e fundos.
A própria oscilação diária da bolsa termina (pelas razões acima e outras) por não dizer nada decisivo sobre o país e sua economia. Por isso, os profissionais da área explicam essas oscilações com frases tipo “mal humor do mercado”, “frustração das expectativas do mercado”, onde tudo cabe, seja para explicar uma alta, seja para justificar uma baixa.
O mesmo quadro se apresenta no mercado de câmbio, pois há também nele forte concentração de poder e um poderoso componente meramente especulativo. Não há (faz tempo) nenhuma razão técnica que explique ou justifique essa montanha russa das taxas do dólar, além da especulação que é regra nos mercados futuros, nas “expectativas” ou no “mau humor do mercado”.
Entretanto, apesar de tudo isso. as oscilações (especulativas ou não) ganham concretude nas redes, nas páginas de jornal e no noticiário de rádios e televisões. E assim podem mesmo ter repercussão política, forçada
pela reação dos agentes políticos e econômicos, movidos por seus interesses e por suas preferências.
O fato é que as oscilações do câmbio e da bolsa são necessárias e úteis para a imprensa criar um clima de alguma tensão para valorizar a informação, a opinião e a análise política ou econômica e dar alguma concretude a teses e preferências de seus clientes e anunciantes mais poderosos, aquilo que recebe nomes como “elite”, “mercado”, “faria lima” etc.