A imprensa e as redes sociais estão entrando em sintonia?

As visitas da mulher (ou ex) de um chefe do crime do estado do Amazonas ao Ministério da Justiça em Brasília foram amplamente divulgadas e largamente comentadas nas redes sociais e nos veículos da imprensa tradicional (Estadão, Folha e Globo, entre jornais), merecendo até editoriais. A mulher era uma das componentes de uma comissão que foi recebida por dois secretários do MJ, com direito a fotografias para as redes.

Os editoriais recomendam firmemente, assim como a maioria dos analistas, que o Ministério seja mais rigoroso no exame da vida pregressa das pessoas que o acessam, ou seja, melhorar o serviço de agendamento e portaria.

Esses veículos defendem que referida senhora, com tal cadastro (com laço afetivo com um criminoso e até condenada na justiça) não deveria ser recebida. Parece grave e algumas pessoas leem nas notícias que “o governo está negociando com milícias , facções e traficantes”.

Os fatos: a citada senhora estava lá indicada por uma associação de defesa dos direitos humanos dos presos; como é de praxe essas entidades fazem lobby junto a governos e o Ministério dos Direitos Humanos aceita pagar passagens para membros indicados para compor a comissão.

A questão que cabe aqui discutir é se a imprensa abandonou seu papel de mediação e aceitou descer ao nível (baixo) do “jornalismo” das redes sociais e se grandes e ainda acreditados veículos como Folha, Globo e Estadão são incapazes de separar a verdade da mentira, a realidade da fantasia, o jornalismo sério do “jornalismo de interesses”, distinguir o relevante do irrelevante e ser capaz de perceber a quem interessa o enfraquecimento de uma figura pública dirigindo órgão de combate ao crime organizado. 

Ninguém mais espera seriedade e compromisso com os fatos nas redes sociais.

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