A imprensa não pode continuar fingindo que tudo é normal na relação com o poder

Já são quase dez os experientes profissionais de imprensa que propõem publicamente que as redações parem de enviar repórteres e cinegrafistas para o “quebra queixo” de todas as manhãs com o presidente Jair Bolsonaro, na sua chegada ao palácio. O argumento é simples: não se pode humilhar diariamente os profissionais e nada fazer a respeito. A humilhação vem do próprio presidente e da claque que está sempre presente.

Não se pode nem dizer que este é um fato isolado. O presidente ataca a imprensa dia, sim, dia, não, ataca veículos, ataca profissionais, distribui sem critérios a verba pública, privilegia canais, censura outros canais, não oferece respostas às perguntas, só aborda o que quer e convém a ele…Não há precedentes de tamanha grosseria, nem recente, nem no passado distante. Nem na ditadura do Estado Novo, nem na ditadura militar.

Não dá mais para fazer cara de paisagem, ignorar tudo o que aconteceu e fingir que isso não tem um significado grave. A imprensa já passou da hora de adotar alguma reação substantiva. Ou perderá o respeito também.

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