A imprensa brasileira está realmente dormindo no ponto, habituada a não competir, beneficiada por mercados monopolizados ou cartelizados. As audiências e as circulações líquidas pagas caíram e não há sinais de recuperação à vista. E, tudo indica, ficou no passado, convenientemente esquecida, a missão de defender os interesses da maioria da população e cobrar qualidade do serviço público, fiscalizando-os com rigor, regularmente.
Há semanas o Banco Central anuncia que dezenas de milhões de pessoas têm algum saldo de dinheiro em alguma conta do sistema financeiro. E, numa parceria informal, BC e imprensa empurram as pessoas a fazerem uma única coisa: ver e sacar o saldo.
Ora, isso não é bom serviço público. Ora, ora, isso também não é bom jornalismo. Ora, ora, ora, isso está longe de tratar bem e defender o interesse da maioria da população.
Que Banco Central é este que nada explica e nem presta contas do dinheiro da população?
Que imprensa é esta que não faz qualquer pergunta,não investiga e não defende interesse legítimo?
Então façamos as perguntas e cobremos do Banco Central a devida transparência:
- Por que não há um extrato para cada conta com saldo?
- Como se explica um saldo de centavos?
- Quanto pode ter sido debitado de tarifas em cada uma dessas contas?
- Quanto era em valor real o saldo de cada uma destas contas há 5 anos? E há 10 anos? E há 20 anos?
- Qual o sentido jurídico de alguém encerrar formalmente uma conta, antes de ter esclarecimentos de qualquer tipo?
O fato é que há satisfação a dar a milhões de brasileiros e brasileiras. É isso não tem dinheiro que pague.
Ou tem?