A IMPRENSA “SADIA” E A IMPRENSA “MARRON” por Paulo Elpídio Menezes

Ríamos, aí pelos anos 1950, de uma forma inovadora de jornalismo nascente no Rio de Janeiro. Era chamada, à falta de melhor classificação, de “imprensa marron”. Antecedeu aos jornais da tevê, caixinha de Pandora que faria sucesso no futuro.

Nasceu e prosperou para os lados da Baixada Fluminense, em estreita associação entre a criminalidade e a politica das oligarquias do estado.

Tenório e a sua temivel “lurdinha”, metralhadora capaz de quase tudo, são produto do lugar, assim como poderosas lideranças da politica fluminense, governadores e parlamentares, empresários de largos costados escorados no erário.

Com o passar do tempo, essa “imprensa” passou a usar a designação civilizada de “mídia”, encheu-se de moçoilas comunicadoras e repórteres criativos e despontou como porta-voz da “opinião”. É claro que nessa generaluzação indevida, havia a separar o joio do trigo.

O “joio” prosperou e assumiu um papel relevante nas relações entre os poderes do Estado e o que até há pouco tempo chamávamos de “povo”. A “imprensa sadia” das grandes empresas ganharam o seu quinhão nas intimidades do governo. Algumas, entretanto, cumpriram papel relevante em passagens delicadas da vida brasileira. Outras, nem tanto.

Em momentos de agravo democrático — no Estado Novo e em 1964, como agora se mostra — demoraram a descobrir o papel de uma imprensa livre em regimes autocráticos… Alguns das principais vozes da “opiniao” sequer tentaram reagir. Acomodaram-se a cerca de 40 anos de governos autoritários e a generosas relações incestuosas de provimento e reforço de caixa.

As “redes socials” surgiram como espaços alternativos para a veiculação da informação e da opinião. Elas são referidas com o ar romântico de uma metáfora como uma moderna “praça de Ágora”… Claro que não chegam a tanto; mas têm o sopro de independência pelo qual conhecemos os fatos e as suas circunstâncias.

A Internet transformou as pessoas em seus próprios editores. Deu voz e argúcia aos seus argumentos. Ensinou-lhes a arte da escrita, já esquecida pelos anos de atenção passiva à telinha colonizadora, como diria em suas reflexões um cidadão de fortes inclinações “progressistas”.

É destes recursos e deste “salva-vidas” de opiniões guardadas que nos querem privar; e obrigar-nos a uma leitura cega das pregações dos “editais” do governo para fortalecer a “solidariedade” em torno de uma Verdade única, por ser assim unânime — indesejável.

É bem disso que se trata.

 

Paulo Elpídio Menezes, ex/reitor da UFC, escritor e professor.

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