Anunciantes ensaiam pressão sobre redes sociais contra ódio e manipulação

As empresas de tecnologia de informação que formaram as criativas e práticas redes sociais, como Facebook, Instagram, WhatsApp, Twitter, Telegram, YouTube e TikTok tomaram um dimensão enorme em vários sentidos e aspectos.

Cresceram em tamanho, espalhando-se pelo mundo. Conquistaram uma lucratividade incomum, porque os ganhos de escala são elásticos. Ganharam a adesão de jovens de todas as idades, tomando-lhes todo o tempo e toda a atenção, e, regra geral, prestaram serviços de boa qualidade técnica intrínseca a seus bilhões de clientes. Têm, pois, algum indiscutível mérito.

Por outro lado, nesse processo de crescimento, colocaram-se fora do alcance dos sistema  tributários nacionais. Praticamente não dão sua contribuição pagando impostos. Organizaram-se de maneira a não serem alcançadas pela lei de cada país, atribuindo a si mesmas uma liberdade sem limite, abusiva. Não dão qualquer explicação sobre seus algoritmos, não dão transparência para a venda de informação sobre o perfil de cada cliente e não exercem controle sobre mentira, manipulação e todo tipo de abuso nos conteúdos que divulgam. Interferem no jogo político e nos processos eleitorais, admitem campanhas no limite do que é criminoso e abrigam discursos de ódio e violência.

Por sua tecnologia, por seu tamanho e por sua penetração e aceitação social, ganharam um poder desproporcional, sem igual, sem limites. Passam a impressão de que tudo sabem e tudo podem e a isso ninguém é capaz de se opor. Nem o mercado, porque toda possível concorrência foi comprada ou sufocada, a depender da conveniência das gigantes big techs.

Nesta semana algumas delas anunciaram demissão em massa de colaboradores. Sobretudo nas áreas em que se fazia alguma checagem de conteúdos— o que pode indicar que mais sujeira grossa possa vir por aí.

Agora o que temos é que os desvios saem do âmbito das redes e se espalham feito vírus na vida real. E a violência virtual passa para a vida real. A coesão social está comprometida. Irremediavelmente ou não, não se sabe.

Não há sinais de que os governos e os governantes enfrentarão o problema de maneira firme e tempestiva. Nem os parlamentos e parlamentares nacionais e continentais. Até agora o mais que se conseguiu foi a aplicação de algumas multas. E muita conversa diversionista. O argumento da liberdade continua protegendo o absurdo. Os líderes dessas organizações beiram o cinismo.

Uma pequena chama de esperança acendeu-se quando grandes empresas anunciantes retiraram seus anúncios e cortaram suas verbas de propaganda das redes. A razão é simples: não querem suas marcas associadas a tanta e tamanha negatividade (mentira, ódio, manipulação). 

Mas é só uma chama. E é só esperança.

Compartilhar esta publicação:

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp