Cinema bota imprensa tradicional na berlinda

A diretora de cinema Maria Augusta Ramos, que lançou em cinquenta salas o seu filme documentário “O Amigo Secreto”, explica que o tema central do trabalho é Jornalismo — e debate o conteúdo e os desdobramentos da operação VazaJato, que joga luz sobre o comportamento atípico do Poder Judiciário (incluindo Ministério Público) na LavaJato.

A imprensa tradicional brasileira agiu mal e afastou-se dos princípios mais básicos do jornalismo profissional. O documentário cobre eventos de quase três anos, a partir de junho de 2019, mas volta ao passado para dar contexto e chega ao presente para mostrar consequências, algumas graves.

A imprensa “comprou” sem filtros e sem limites os desvios da justiça de Sérgio Moro e Deltan Dalagnol. E atuou como se fosse dos dois uma assessoria de imprensa.

Cinema falando de jornalismo de forma crítica é fato importante. A imprensa tradicional brasileira reagiu mal ao filme, que deixa as redações em dificuldades em relação ao discurso de isenção.

A crítica ao filme foi fraca: que o filme não é isento. Uma cobrança indevida para uma peça de arte autoral. Mesmo se tratando de um documentário, é óbvio e natural que a obra defenda uma posição específica. É diferente de lidar com um bem público, a informação, a partir de concessões públicas, como rádio e tv.

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