Colunista da Folha é exemplo de como escrever para não ser lido nem compreendido

O economista Samuel Pessoa escreve sobre economia brasileira todo domingo no jornal Folha de S. Paulo. Seu assunto prioritário é política fiscal (receita e despesa pública, basicamente). Ele tem um ângulo prioritário que domina quase todos os textos, ele é contra gasto público, considera este o problema do Brasil e diminuir o gasto o caminho inevitável. Parece pauta única, sugere um certo fanatismo teórico pobre e empobrecedor.
Neste domingo o economista saiu da sua pauta aguda e crônica para analisar o crescimento do país. E escreve para não dizer nada de forma clara, escreve para não ser lido e, caso lido, não seja entendido.
Experimentem ler e entender este trecho:

“É útil olharmos o quarto trimestre do ano passado em comparação com o mesmo período de 2019, o último trimestre antes de a epidemia chegar por aqui. A economia rodou 0,5% acima. Dado que a tendência de crescimento observada no triênio de 2017 até 2019 foi de pouco menos de 1,5% ao ano, deveríamos estar, no quarto trimestre de 2021, 3% acima do mesmo período de 2019. Ou seja, estávamos, no quarto trimestre de 2021, 2,5 pontos percentuais abaixo da tendência anterior à epidemia.”

Entendeu?

Leiam outro trecho: “O carregamento estatístico de 2021 para 2022 será de 0,3%. Há ainda muito crescimento para que voltemos à tendência anterior à epidemia e, adicionalmente, a política fiscal será fortemente expansionista, tanto da União quanto dos estados e municípios. Temos que lembrar que em 2022 há eleições e o caixa dos estados e municípios em dezembro de 2021 rodava na casa de 2% do PIB. Esse caixa será consumido. Por outro lado, a política monetária contracionista reduzirá o crescimento. A resultante deve ser um crescimento um pouco maior de 1%.”

Entendeu?

O leitor da Folha pode recorrer a Madame Natasha (professora de português, criação de Elio Gaspari, que traduz os çábios) e finalmente entender como resolver os problemas da população.

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