Trago com o gosto da minha infância na boca, uma velha história, “story”, para não fugir da modernidade. [As palavras, escritas ou pronunciadas em língua inglesa, ganham respeitabilidade e tintura culta e civilizada].
Numa redação de jornal, na véspera da Sexta-feira da Paixão, o secretário da redação pede ao editorialista para fechar a edição do dia seguinte, com um editorial sobre Jesus Cristo, o mártir celebrado da data.
O redator, já a enfiar, com gesto obediente o papel na velha Remington, exausta de tantas pelejas (intimorata Remington, dela diria Sérgio Porto, o Stanislaw), indaga:
“Contra ou a favor?”
Naquele tempo, não se sabia ao certo o que fazer com a palavra inglesa “media”, até MacLuhan dar-lhe sentido e consagração com a ajuda de uma teoria loquaz que sobrevive até hoje. À falta de destreza verbal, chamava-se o bicho pelo nome ou pelo apelido familiar. Cão era tratado promiscuamente como cão, ou “bicho-feio”, assim pretendiam as beatas do Juazeiro; ou capiroto, tinhoso, capeta, canhoto. Referiam-se as devotas do Horto, a “Fa[bicho-feio], para omitir o nome do facão, [fa/cão] e não atrair o “príncipe das trevas”.
A partir daí, as teorias de Barthes ganharam prestígio e a expressão da palavra fez-se verbo, intenção e intuição. A conexão ou a des/conexão da relação “emissor”/“receptor” funcionam pelos sinais da linguagem, uma espécie de semiologia. Uma sofisticada e engenhosa arte de interpretar sintomas em busca por explicação.
A “mídia”nasceu, virou objeto dos cuidados da ciência e fez morada entre eruditos — na universidade.