As relações de um país com os outros são orientadas (ou deveriam ser) pelos interesses do próprio país. Essas relações obedecem a linguagens, formas, ritmos e rotinas específicos e singulares. Para que haja compreensão e previsibilidade entre as partes, a diplomacia segue protocolos rígidos, os entendimentos e até os desentendimentos passam por etapas definidas e aceitas pelas partes. Raramente algo fora da tradição consensual acontece. Os profissionais da área precisam ter e desenvolver as habilidades imprescindíveis ao jogo diplomático.
Tudo isso não deixa de levar em conta o tempo inteiro que a diplomacia é uma disputa permanente de interesses. E nessa disputa há os fortes e os fracos. Os que vencem e os que cedem. Os que impõem e os que se submetem. Tudo através da boa diplomacia. Sempre eles, os interesses.
A imprensa de um país desenvolvido e forte sabe o papel que lhe cabe exercer nesse contexto: defender os interesses nacionais contra os interesses estrangeiros. E ela normalmente cumpre o que dela se espera.
A imprensa de um país subdesenvolvido e fraco não costuma exercer o papel que lhe caberia, que é o mesmo, defender interesse nacional contra interesses estrangeiros. Não, ela não faz isso. Prefere submeter-se à conveniência estrangeira, num processo que se repete desde os tempos coloniais.
A imprensa não produz resultados diplomáticos, mas tem potência para sutilmente defender o interesse estrangeiro e agir contra o interesse nacional. A imprensa tem força para fortalecer ou enfraquecer o governante.
Nos últimos anos o Brasil decretou a sua própria morte diplomática, tantos e tamanhos foram os absurdos, os erros, a omissão e a submissão. A imprensa assistiu com certa ou total passividade.
Agora que, o mundo reconhece, “o Brasil voltou”, como está agindo a imprensa é inaceitável, por mais que seja, digamos , explicável.
Não se pode agir contra o interesse do próprio país.