Dividendo da Petrobras: Não é papel da imprensa defender interesses tão específicos

A privatização da Petrobras é o objeto de desejo e o sonho de bilionários brasileiros e estrangeiros, o tal “mercado”. Enquanto a privatização efetiva não vem, o “mercado” aceitou como compensação provisória que a lucro da empresa fosse totalmente distribuído sob a forma de dividendos. Em um ano a Petrobras distribuiu 194 bilhões de reais. O governo atual anunciou que a distribuição de dividendos estimada para os próximos 12 meses será de 60 bilhões de reais mais ou menos. O “mercado” não se conforma com uma redução tão drástica e escala a imprensa para pressionar o governo e obrigá-lo a recuar.

Durante cinco dias, a imprensa tradicional esqueceu os fatos. Sim, essas mudanças foram feitas há meses, e o presidente da República a anunciou na campanha. A decisão da empresa foi comunicada como a lei manda, afinal a Petrobras é empresa de capital aberto e suas ações são negociadas também no exterior. Os comunicados são formais, praticamente padronizados.

A imprensa não leu ou fingiu que não leu o comunicado. E ficou fazendo comentários sem fundamentos, críticas improcedentes, leituras enviesadas e cobrando que o governo recuasse.

Nesse contexto, alguns comentaristas, como os da CNN Brasil e da Globonews, fizeram observações infantis, como reclamar da interferência do governo (ora, o governo é sócio, controlador, dono), divergência entre diretores e conselheiros (estranho seria que pensassem todos da mesma forma), insegurança jurídica (mas nenhuma lei foi desobedecida), perda de 55 bilhões de reais no valor de mercado (a empresa  ganhou mais de 150 bilhões em doze meses anteriores e isso produz zero efeito concreto)…

Depois do que o governo brasileiro da dupla Guedes – Bolsonaro fez com a Eletrobrás, essa vontade de privatização da Petrobras só cresce. (O controle da Eletrobrás foi para as mãos de particulares sem que eles tivessem que pagar por isso. Isso mesmo, o controle da empresa não foi vendido, o novo controlador não precisou pagar nada pelo controle.)

Fica feio para a imprensa tradicional aproximar-se de fazer um lobby tão explícito em favor dos tais “dividendos extraordinários”. E o governo precisa aprender a dar respostas melhores, ou seja, mais firmes e mais rápidas.

 

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