A crítica de cinema é uma forma de análise e avaliação de filmes que busca oferecer insights e opiniões sobre as diferentes obras cinematográficas. Os críticos de cinema são profissionais especializados ou não, que escrevem críticas em jornais, revistas, sites e outros meios de comunicação.
Esse gênero opinativo do jornalismo desempenha um papel importante na indústria cinematográfica, pois ajuda o público a tomar decisões informadas sobre quais filmes assistir e fornece um espaço para discussão e análise das diferentes abordagens artísticas e narrativas adotadas pelos cineastas. Além disso, a crítica também pode influenciar a recepção e o sucesso comercial de um filme.
Existem diferentes formas e estilos de textos que tratam sobre crítica de filmes. Alguns críticos se concentram em aspectos técnicos, como a direção, a cinematografia, a edição e os efeitos visuais, enquanto outros se concentram mais na narrativa, nos temas e nas performances dos atores. Além disso, a crítica de cinema pode abordar questões sociais, políticas e culturais relacionadas aos filmes, explorando seu contexto histórico e suas implicações mais amplas.
As críticas sobre cinema geralmente incluem uma sinopse do filme, seguida de uma análise mais elaborada. Os críticos podem fornecer uma avaliação geral do filme, atribuindo-lhe uma classificação ou uma pontuação, mas o foco principal está na justificativa e na argumentação que sustenta essa avaliação. Uma boa crítica deve ser fundamentada, oferecer percepções diferenciadas e apresentar uma perspectiva clara e coerente sobre o filme abordado.
Décadas passadas o leitor tinha a opção de encontrar as resenhas dos filmes nos cadernos de cultura dos grandes jornais, tempos depois com o surgimento da internet, os blogs desempenharam esse papel. Atualmente são poucos os críticos em mídia impressa que ainda escrevem para jornais, as revistas sobre cinema já deixaram de circular. Tudo agora é online!
Alguns críticos conhecidos de revistas especializadas como Pablo Villaça, que foi da SET e a colunista Isabela Boscov que escrevia para a Veja, estão com canais no Youtube, são independentes e lucram com os vídeos através da contagem de visualizações (monetização). É um caminho novo, para um público também novo, mas a qualidade do que é feito por eles continua a mesma, apenas mudou o meio.
Isso gera um aumento da visibilidade do crítico, eles podem compartilhar suas análises e opiniões em seus próprios perfis nas redes sociais, ganhando seguidores e construindo uma base de fãs. Isso pode levar a oportunidades profissionais, como colaborações com veículos de mídia, convites para festivais de cinema e outras formas de reconhecimento.
Toda essa influência que as redes sociais têm e a sua popularização, em plataformas como Twitter, Facebook, TikTok, fez com que a crítica cinematográfica se espalhasse para além dos sites especializados. Agora, qualquer pessoa pode expressar sua opinião sobre um filme nas redes sociais, não precisa ser formado em jornalismo e cinema, o que pode ter um impacto significativo na percepção pública de um filme. Isso também levou a um aumento na interação entre críticos e público, permitindo um diálogo mais direto e imediato.
Os vídeos postados sobre algum filme têm a duração média de 4 até 16 minutos, mas isso varia de um canal para outro. Enquanto os textos, dependendo do site, são curtos, a leitura é rápida, salvo alguns que se dispõem de uma avaliação mais profunda, como o Plano Crítico, por exemplo.
Em 1950 sem todo esse aparato tecnológico, sem likes para os críticos, o jornal cearense O Nordeste, de origem católica, trazia de inovador para a época “o cartaz do dia”. Era a seção que comentava o filme que estava sendo exibido naquele dia na cidade, mas a imagem do cartaz do filme não era publicada. Já o jornal O Unitário dedicava um espaço para a foto do filme, e uma pequena sinopse. Até hoje isso ainda é feito nos portais dos jornais na internet, O Povo faz isso, é uma herança do jornalismo impresso que não se apagou durante os anos.
Nos anos sessenta nos jornais cearenses começa a surgir um texto mais aprofundado sobre cinema, L. G de Miranda Leão foi um dos precursores, e o jornal O Povo no fim dos anos setenta
contava com três críticos: Frederico Fontenelle, Aramis Arão e Cláudio Sidou. Num período em que uma página inteira de um jornal impresso era dedicada a falar exclusivamente sobre cinema.
No entanto, é importante ressaltar que as redes sociais também apresentam desafios para a crítica cinematográfica, como a disseminação de informações imprecisas, a polarização de opiniões e a rapidez com que o conteúdo é compartilhado, pode se tornar obsoleto. Os críticos também podem enfrentar críticas e ataques pessoais nas redes sociais. Portanto, é necessário um equilíbrio entre os benefícios e desafios das redes sociais na interação entre críticos e público na crítica cinematográfica, já que a evolução dos meios de comunicação não para.
* LAILA ARAÚJO COELHO é jornalista profissional.