Dois anos do mais pobre e infantil jornalismo político sob o comando do presidente da República

Quando o então candidato Jair Bolsonaro levou a facada no abdômen em uma caminhada no interior de Minas Gerais, faltando menos de três semanas para a eleição, imediatamente um de seus filhos disse “agora ele está eleito“. O raciocínio era simples. Como vítima, como um perseguido do sistema, o candidato receberia naturalmente a simpatia do eleitor e seria notícia o dia inteiro, todos os dias, até o dia da votação, ficando completamente livre de debates. E, para completar, os adversários o poupariam de ataques e críticas mais fortes.

Como eleito, e depois como presidente empossado, Jair Bolsonaro impôs uma pauta a toda a imprensa. A pauta seria diariamente definida por ele, presidente, no cercadinho com os simpatizantes perto do Palåcio e nas postagens dele e dos filhos nas redes sociais. Nada de assunto sério, nada de entrevista coletiva, nada de profundidade. Toda a imprensa brasileira caiu na rotina que se repetiu por dois anos, executada pelo próprio presidente, por seus filhos, por um ou outro ministro da ala ideológica ou por outros franco-atiradores.

A imprensa foi e continua a ser pautada, submeteu-se e ainda submete-se, presa num círculo de giz. O jornalismo político nunca foi tão pobre e infantil. Como aconteceu depois da facada, o presidente está no comando do show, sua imagem e suas palavras abrem todos os noticiários, todos os comentários, todas as análises.

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