É preciso saber se a imprensa tradicional abre mão de seu prestígio e de sua função como instituição líder do debate público sobre as grandes e graves questões da sociedade brasileira. A questão se coloca porque a imprensa debate cada vez menos, na verdade quase não debate nunca. Quando diz que debate algo, coloca sempre em destaque um pensamento único, arregimenta todos os debatedores com a mesma opinião e mesmo lado. Nem mesmo a pobre concepção de dois lados (na verdade toda questão tem muito mais lados do que dois) ainda consegue espaço. É pensamento único mesmo, só ilustrado por várias vozes, cuidadosamente escolhidas pela casa.
O comentário seria até descabido, tão evidente e banal virou a prática cotidiana no rádio, na tv e nos jornais. Até os fatos são revirados para não contrariar as convicções das casas editoras e transmissoras. Entretanto, não custa deixar registrado e chamar a atenção para um novo campo dessa prática destruidora do conceito de jornalismo profissional.
Trata-se do campo das questões de Direito, cada vez mais presentes na vida econômica e política de um país que viu suas instituições golpeadas de muitas formas. Convém preparar minimamente o profissional de jornalismo para cobrir tais questões. Hoje, o pobre jornalista, repórter ou âncora, não consegue ir muito além da indignação cada vez mais infantil e teatral ou do tradicional “e até agora ninguém foi preso“.
Um lembrete – a regra tem exceções. A lei, não.