A maior companhia de energia da América Latina está sendo objeto de uma transação atípica, para dizer o mínimo. Seu controle está sendo adquirido algumas dezenas de bilhões de reais (o Tribunal de Contas da União estimou em sessenta e sete bilhões de reais um único erro de estimativa) abaixo do que seria razoável, também para dizer o mínimo. Deixa de pertencer ao povo brasileiro e passa a pertencer a pouquíssimos investidores privados.
Todo mundo sabe que as ações que representam o controle valem muito mais que a cotação de bolsa. Mas o governo optou pela cotação em bolsa.
A busca de investidores foi restringida, pois todo o processo de preparação foi fechado e apressado. A responsabilidade pelo negócio está diluída de tal maneira que depois ninguém possa ser acusado e punido. E as multas para reverter o processo chegam a duzentos por cento.
O noticiário até se atrapalha para usar a palavra certa para a transação: privatização, capitalização, outorga, venda e, last but not least, entrega.
A imprensa também evita informar ao distinto público que depois da privatização os preços tendem seguramente a subir muito acima da meta inflação.