É preciso discutir a relação imprensa-LavaJato-Petrobrás para salvar o jornalismo

Quando o assunto é petróleo e Petrobrás, a imprensa tradicional brasileira tem uma posição fixa, antiga, desde os anos 1950, quando sem internet e sem televisão, fração importante da população fez uma campanha nacional que entrou para a história (o petróleo é nosso”), por sua simples realização e também pelos resultados efetivamente produzidos. Foi quando Getúlio Vargas criou a Petrobrás. Aliás, a Petrobras é citada na carta-testamento de GV. 

A imprensa, desde então, sempre defende que não se deve prospectar o chão (nem o mar) em busca do “ouro negro”. Malhou como um “judas” o governador de São Paulo, que teimava e criou a Paulipetro. Sempre defendeu o fim do monopólio, só que quando o monopólio acabou formalmente ninguém veio investir. Aí começa a luta para privatizar a Petrobras. Quando foi descoberto o trilionária pré-sal, a imprensa continuou duvidando e atacando…

 

Nada está ou esteve certo na estatal de petróleo. Usando o bom senso e a racionalidade é estranha a posição dos editores tradicionais. Sempre contra.  Torturam o jornalismo, torturam os profissionais para arrancar um discurso entre a mentira e o besteirol sobre o negócio de petróleo e sobre a Petrobras. Nesse contexto, a operação LavaJato atendeu a essas convicções e a interesses políticos e econômicos  inconfessáveis. A empresa foi dada como endividada demais e com prejuízos demais e prestes a quebrar. Tudo falso. Nas últimas duas décadas a empresa sempre se saiu bem, nas vendas, nos lucros e na geração de caixa. 

A imprensa acreditou e deu fé pública à rapaziada irresponsável da LavaJato. E avalizou tudo, comprometeu-se e comprometeu sua credibilidade. Avançou tanto que acredita que não pode recuar. Está num buraco e continua cavando, é o resumo da relação imprensa-petrobras-lavajato.

Na noite desta quinta-feira, a CNN reuniu 3 jornalistas e um consultor, sob o comando do experiente William Wack, Daniel Rittner, Lourival Sant’Anna e Thais Heredia, jornalistas, e Adriano Pires, consultor. Pauta: debate sobre a Petrobras. Só que todos pensam igual e são fechados numa mesma posição. É apenas repetem-se, num jornalismo tão infantil quanto estranho.

A mesma cena parecia repetir-se hoje início da tarde na Globonews, no Estúdio I, sob comando de Marina Francischini, com jornalistas Daniel Sousa, Arthur Dapieve, Flávia Oliveira e Valdo Cruz. Um festival de besteiras e clichês do auge da fantasia anticorrupção da LavaJato em 2015. Ninguém diverge, ninguém analisa com mínima seriedade e números, só palavras de ordem. Só Flávia Oliveira, aparentemente constrangida, evita o coro e faz uma cautelosa ressalva.

A relação imprensa-LavaJato continua merecendo algum tipo de encaminhamento, terapia ou DR.

Em tempo: há uma hipótese de que tal comportamento não seja orientação das emissoras de TV. Seriam posições e convicções dos próprios profissionais. É possível. Mas não é menos grave. A desqualificação seria dos próprios jornalistas, despreparados. A conferir.

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