“…As fake news apareciam nas folhas da mídia de então. E o anonimato que permite os mais brutais ataques a desafetos, tão criticado como se fosse característico das redes sociais, era igualmente muito comum pelos idos de 1821-22. Um dos que mais frequentemente recorriam a esse estratagema era o próprio príncipe regente D. Pedro I, que sob pseudônimos empreendia ações de difamação e calúnia em O Espelho, contra adversários de longa duração ou circunstanciais.
Diferentemente de autoridades atuais, D. Pedro ao menos entendia que não era recomendável fazer ataques desse tipo com a cara limpa, em virtude da liturgia do cargo que ocupava. Não se tem notícia também de que ele dirigisse impropérios ou provocações contra autoridades estrangeiras, talvez por entender que relações internacionais exigem trabalhosa tessitura, por vezes facilmente desfeitas.
Um pouco dessas cenas de disputa e infâmia pode ser encontrado em O Nascimento da imprensa brasileira, escrito por Isabel Lustosa, doutora em ciência política pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj) e autora de livros-referências comoInsultos Impressos: a guerra dos jornalistas na Independência (Companhia da Letras, 2000) eHistórias de presidentes: a República do Catete (Vozes, 1989)…”
(Texto originalmente publicado no site da Fundação Perseu Abramo)